Fanzines sobre a obra do Paulo Freire

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Em 23 de novembro, foi lançado o primeiro volume da série de fanzines sobre a obra do Paulo Freire.
 
Produzido pelo educador PH e pelo cartunista Tavarez, o material tem por objetivo tornar ainda mais acessível o pensamento do Paulo Freire em tempos de Escola Com Mordaça.
 
Segundo os produtores, a ideia é socializar e distribuir o material pelos diferentes cantos. “Você pode ler, fazer críticas, reproduzir e/ou compartilhar o material pelas redes sociais.”
 
Você encontra o primeiro volume da fanzine em formato A4 (8 páginas) e em formato A6 (2 páginas). Além disso, tem um vídeo com a apresentação da montagem da fanzine em formato A6, o mais indicado para a reprodução em grandes quantidades.
 
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Educadora popular convoca todos(as) a seguir com punhos ao ar!

Noelia

    Noelia Rodrigues Pereira Rego, educadora popular, doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, e integrante do CEPL – Coletivo de Educação Popular Libertária de América Latina e Caribe, após receber do Instituto Paulo Freire o texto “Paulo Freire ameaçado de expurgo”, gravou este vídeo, depois de se sentir provocada. Continuar lendo “Educadora popular convoca todos(as) a seguir com punhos ao ar!”

Pedagogia do oprimido ou pedagogia do WhatsApp?

Por Paulo Blikstein
Professor da Universidade Columbia, em Nova York (EUA)

PFfolhaGanhe quem ganhar, a partir de 1º de janeiro não bastarão mais memes e youtubers para formular nossas políticas educacionais. Precisaremos de soluções.

Debrucei-me sobre os programas de governo em educação. O programa de Haddad ignora a complexidade da implementação da nova base curricular e a necessidade de uma reformulação filosófica profunda na formação de professores. E tenho dúvidas sobre a sustentabilidade da ampliação das universidades federais. Mas é um programa tecnicamente bem escrito, com propostas específicas.

Olhei o programa de Bolsonaro com a mente aberta. É positivo que ele fale sobre a “qualificação crescente” do professor brasileiro. Mas o resto, quando não é bordão, anuncia um futuro perigoso. Continuar lendo “Pedagogia do oprimido ou pedagogia do WhatsApp?”

Paulo Freire ameaçado de expurgo

rosa-vermelha-ilustracao-floral-grafico_91-2147487424       Somos uma organização não-governamental com 27 anos de existência, criada para continuar e reinventar o legado freiriano. Paulo Freire acompanhou de perto a sua constituição, participando da discussão do seu estatuto, da definição de seus princípios, de suas linhas de atuação e contribuindo com suas valiosas e esclarecedoras reflexões sobre os projetos em desenvolvimento. Abrigamos a biblioteca do educador brasileiro e grande parte de seu acervo, reconhecido pela Unesco como patrimônio documental da humanidade.

        Mais de 5 mil pessoas já passaram pelo Centro de Referência Paulo Freire. Um quinto dessas pessoas são estrangeiros representantes de mais de 40 países, dentre eles: Inglaterra, Itália, Índia, Japão, China, Canadá e tantos outros. Este educador reconhecido internacionalmente por suas contribuições às ideias pedagógicas está, neste momento, ameaçado de ser expurgado da educação brasileira. Vivemos tempos de perplexidades sucessivas. Esta é mais uma delas.

      Não é a primeira vez que suas ideias são ameaçadas. O autor de Pedagogia do oprimido, obra que, em 2018, completa 50 anos, foi preso e exilado no período da ditadura. Sua resposta ao cerceamento foi um convite ao diálogo e à coragem de lutar; frente à violência, ao silenciamento, a luta pelo direito à liberdade de expressão, ao pensamento crítico.

        Paulo Freire sempre se opôs à doutrinação, à manipulação. Defendia o diálogo de  saberes: o saber científico, o saber sensível, o saber técnico, tecnológico, o saber popular, sem discriminação, respeitando e valorizando a diversidade e os direitos humanos. Como um ser humano conectivo, esperançoso, jamais deixou de acreditar na capacidade da humanidade de criar “um mundo em que seja menos difícil amar”, como escreveu, no exílio, em 1968, no final de seu livro mais conhecido: Pedagogia do oprimido.

      Alguns gostariam de retirar Paulo Freire das prateleiras das escolas, mesmo que sejam poucas as que ainda têm livros dele; outros ameaçam expurgar os livros didáticos, onde, porventura, se faz alguma menção a ele. Não vimos ninguém, até agora, propondo a queima de seus livros em praça pública. E esperamos que não chegue esse momento. Para isso, estamos vigilantes! Sabemos que suas ideias não agradam a todos. E isso é próprio da democracia, como espaço amplo, fecundo e generoso do debate de ideias, em que cada pessoa possa, com autonomia, dizer a sua palavra e construir a sua própria história.

      Contestar Paulo Freire é, na verdade, contestar a própria democracia que ele defendia ao lado de outros grandes educadores do século XX, como John Dewey, Martin Buber, Jean Piaget e Maria Montessori, ao lado de brasileiros e brasileiras como Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Cecília Meirelles e Rubem Alves, entre outros. Para todos e todas que desejam conhecer e viver uma pedagogia de inspiração humanista, sua obra é imprescindível e deveria estar em todas as escolas.

          A liberdade é um princípio de toda educação e o ofício de ensinar, uma conquista da humanidade. Sem democracia não há aprendizagem. Intimidar professores é negar ao povo o direito à educação. A pedagogia dialógica defendida por Paulo Freire é considerada como uma referência de qualidade científica e reconhecida por intelectuais e universidades de todo o mundo.

       As teorias de Paulo Freire cruzaram as fronteiras das disciplinas, das ciências, criando raízes nos mais variados solos, fortalecendo teorias e práticas educacionais, bem como auxiliando reflexões não só de educadores e educadoras, mas, também, de médicos, terapeutas, cientistas sociais, economistas, filósofos, antropólogos, psicólogos, artistas, juristas e profissionais de diversas outras áreas. Se elas tocaram corações e mentes e ressoaram em tantos lugares, pelos quatro cantos do mundo, é porque elas atendem a uma necessidade não só de construção de conhecimentos baseados em evidências e dados, mas também porque, despertam nas pessoas que entram em contato com elas, a capacidade de serem melhores, menos arrogantes, mais respeitosas, para viverem plenamente suas existências num mundo mais justo, produtivo e sustentável.

        Por isso, o Instituto Paulo Freire manifesta-se, neste momento, em defesa do legado freiriano como parte da luta pela democracia e pela liberdade de ensinar e aprender, e convida todos e todas que se solidarizam com essa causa a se somar, a criar um grande movimento, a partir de seus próprios espaços, cada um com sua criatividade e suas condições, construindo uma teia solidária de resistência e luta por uma educação emancipadora, transformadora e democrática. Vamos juntos em defesa de Paulo Freire! “Amar é um ato de coragem”, como nos ensinou Paulo Freire. Mais amor e menos violência.

       Escreva seu texto, faça sua charge, sua ilustração, sua música, seu poema, sua aula pública, seu documentário, seu vídeo, organize suas atividades, compartilhe conosco notícias do que vem sendo feito, pelo e-mail: comunicacao@paulofreire.org. Vamos tecer esperança!

Conheça e saiba mais:
www.paulofreire.org
https://www.facebook.com/InstitutoPauloFreireIPF
https://twitter.com/instpaulofreire
@institutopaulofreire
http://www.youtube.com/c/iPFTv2018

Baixe aqui este texto nas versões em Francês, Espanhol e Italiano!

Recuar não é o problema. A questão é fingir resistir: sobre a greve geral de 30 de junho de 2017

Por Wagner Hosokawa

greve

2017 já está marcado na história do Brasil como o ano em que a classe trabalhadora brasileira vivenciou o seu período mais desafiador. As reformas do governo golpista de Temer (PMDB/PSDB) atingem no coração, dos direitos trabalhista e previdenciária, daqueles que dependem do salário mínimo como única fonte de sobrevivência. Continuar lendo “Recuar não é o problema. A questão é fingir resistir: sobre a greve geral de 30 de junho de 2017”

Promotoria de Direitos Humanos questiona representatividade dos negros na publicidade

A Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital, área de Inclusão Social, lançou, no dia 21/03, Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, nova fase da campanha “Por que só um tom de pele?”, na página do Facebook do MPSP, em que questiona a baixa participação dos negros em peças publicitárias. O projeto é parte de inquérito civil instaurado pela Promotoria de Justiça para apurar o tema. A primeira fase da campanha foi realizada em setembro de 2016 (confira aqui). Continuar lendo “Promotoria de Direitos Humanos questiona representatividade dos negros na publicidade”